VITAMINAS E OUTROS NUTRIENTES INDICADOS PARA GESTANTES.

A gestação é um processo intenso, que pode ser ainda mais maravilhoso se existe o suporte nutricional adequado para suas demandas únicas. Iodo e colina para a formação cerebral, ferro para evitar anemia, vitamina E para a função cognitiva. Esses são apenas alguns dos nutrientes recomendados para esta fase tão especial. Mas o que torna esses elementos tão importantes? O que a carência de vitaminas para gestantes pode causar? Confira.

Ômega 3

Um dos componentes do ômega-3, o DHA (ácido graxo docosahexaenoico), é transferido a taxas altíssimas da mãe para o feto. Essa distribuição é crucial para uma ótima saúde do cérebro, olhos, imunidade e desenvolvimento do sistema nervoso.

Devido à alta demanda do feto, pode ocorrer de a mãe se tornar carente do importante nutriente e, portanto, sofrer de problemas associados com a sua deficiência. Entre os principais estão o estresse e a depressão pós-parto.

Onde obter o ômega-3?

Uma das principais fontes são os peixes de águas frias e profundas. Entre eles, estão o salmão, o atum e a sardinha. Os crustáceos, em especial os que vivem em águas frias, também fornecem esse nutriente.

Além das fontes marinhas, encontramos os precursores de ômega-3 em oleaginosas como castanhas, nozes e amêndoa.

Também é possível encontrar em óleos vegetais como azeite, sementes de linhaça, chia e cânhamo, em vegetais de folhas escuras, como couve, brócolis e espinafre e até em leguminosas, como feijão, ervilha e grão-de-bico.

Ácido fólico

A ingestão deste nutriente durante a gravidez está relacionada à rápida proliferação celular, regulação da expressão genética, metabolismo de aminoácidos e síntese dos neurotransmissores. Também é importante para a saúde materna, podendo ajudar na prevenção ou minimização da depressão pós-parto.

Onde obter ácido fólico?

O fígado da galinha é o alimento com maior concentração de ácido fólico, sendo seguido pelo mesmo órgão do peru e dos bovinos. Na sequência do ranking de concentração por porção, estão os vegetais, feijão, lentilha, quiabo e espinafre.

Vitamina E

Durante a gravidez, é um importante antioxidante e ajuda a defender as células. Se constatou que, mesmo sendo importante durante toda a vida, os níveis elevados de concentração de vitamina E durante o nascimento foram associados com melhor função cognitiva em crianças de 2 anos de idade.

A carência deste antioxidante durante a gravidez é associada ao aumento de infecções, anemia, nanismo, aborto, desordens neurológicas e outras condições patológicas para a mãe e/ou bebê, o que faz dela uma das principais vitaminas para gestantes.

Onde obter a vitamina E?

A vitamina E é encontrada naturalmente em alimentos de origem vegetal, principalmente nos vegetais verde-escuros, nas sementes oleaginosas, nos óleos vegetais e no germe de trigo. Além disso, está presente em alguns alimentos de origem animal, como gema de ovo e fígado.

Vitamina D

De acordo com o National Institutes of Health (NIH), a interrupção no uso de pílulas anticoncepcionais pode levar a uma queda nos níveis de vitamina D. Para crianças, o baixo nível de vitamina D materno tem sido associado a um aumento do risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer (<2.500 gramas). Para as mulheres grávidas, a deficiência de vitamina D tem sido associado com um aumento do risco de pré-eclampsia e diabetes gestacional.

Onde obter vitamina D?

As fontes de vitamina D são exclusivamente de origem animal, como sardinha, atum, ovo e fígado bovino. Para veganos, uma opção é a obtenção através de banhos de sol.

Vitamina B6

Tem diversas funções no corpo, incluindo a formação do sistema nervoso e de células vermelhas do sangue. Atua também como esteroide hormonal (relacionada ao colesterol) e na síntese de ácido nucleico.

Onde obter vitamina B6?

A vitamina B6 é encontrada em diversos alimentos, tanto de origem animal, como carne suína, leite e ovos, como de origem vegetal como aveia, banana, gérmen de trigo, abacate, sementes e nozes.

Iodo

É extremamente importante na biossíntese dos hormônios tireoidianos T3 e T4, que desempenham um papel notável no crescimento e desenvolvimento dos órgãos e, principalmente, do cérebro antes, durante e após a gravidez. A ingestão de iodo nos níveis recomendados ajudará a evitar uma má formação cerebral e preservar a capacidade de aprendizado da criança. Mesmo uma deficiência leve pode prejudicar o desenvolvimento intelectual da criança.

Na gestação, uma deficiência de iodo pode levar a um quadro de hipotireoidismo congênito. Nesses casos, a glândula tireoide do recém-nascido é incapaz de produzir as quantidades adequadas de hormônios tireoidianos. Se não receberem diagnóstico e tratamento adequados, essas crianças podem ter o crescimento e desenvolvimento mental seriamente comprometidos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), toda mulher grávida deve consumir cerca de 250mcg de iodo por dia, e isso deve ser continuado até o término do período da amamentação.

Onde obter iodo?

Os principais alimentos ricos em iodo são os de origem marinha (ostras, moluscos, mariscos e peixes). Leite e ovos também são fontes de iodo, desde que oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em iodo ou que foram alimentados com rações que continham o nutriente. Vegetais oriundos de solos ricos em iodo também são boas fontes. Além disso, ele está presente no sal iodado.

Zinco

O zinco é um mineral com alta demanda pelo feto, pois atua na regulação do desenvolvimento cerebral durante a fase fetal e pós-natal.

Melhorar os níveis de zinco pode ajudar quanto a uma possível depressão da mãe, já que ele atua como um importante cofator para síntese de neurotransmissor. De fato, sob condições de grande estresse, o organismo elimina rapidamente o zinco através da urina, suor e saliva – quanto mais depressão, menor o nível de zinco.

Outro fator de proteção do zinco acontece diante da possibilidade de infecções virais, bacterianas e fúngicas que podem ocorrer durante o desenvolvimento do bebê. Esse micronutriente é um grande responsável pelo funcionamento do sistema imune.

Onde obter zinco?

Segundo a Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos, elaborada pela Unicamp, entre os alimentos com maiores concentrações de zinco estão o mingau tradicional, o cereal matinal, o acém bovino, o patinho bovino e a carne-seca.

Colina

Trata-se de um nutriente essencial presente em alimentos como fígado, carne bovina, peixes, amendoim e gema de ovos. Oferece benefícios tanto para danos hepáticos quanto para alterações neurológicas como depressão, perda de memória, entre outros.

Um aumento de sua necessidade aparece durante a gravidez e lactação, porque a colina é necessária para a produção da lipoproteína fosfatidilcolina – componente de todas as membranas celulares. Além disso, ela desempenha um papel central no desenvolvimento cerebral da criança, em especial na área do hipocampo e encéfalo frontal (regulação da memória e atenção), antes e após o nascimento.

Estudo da Universidade de Cornell aponta que o nutriente pode melhorar a maneira como a criança responde ao estresse. Outra pesquisa, desenvolvida na Universidade do Colorado – EUA, relatou um melhor funcionamento cognitivo da criança, além de uma redução no risco de desenvolver, futuramente, esquizofrenia.

Onde obter colina?

O ovo é, talvez, a fonte mais conhecida de colina, mas ela também pode ser encontrada no fígado bovino, no salmão, na couve-flor, na couve e no leite materno.

Ferro

É considerado necessário para apoiar o crescimento e o desenvolvimento do feto e da placenta. Também ajuda a atender à crescente demanda por células vermelhas do sangue (hemácias) para transportar oxigênio.

A deficiência de ferro é a principal causa de anemia durante a gravidez. A anemia grave por deficiência de ferro tem sido associada a um risco aumentado de bebês com baixo peso ao nascer (menos que 2.500 gramas), parto prematuro e mortalidade perinatal.

Onde obter ferro?

Entre os alimentos com maiores concentrações de ferro, estão o mingau tradicional, a farinha de arroz, o feijão, e as farinhas de trigo, cevada e aveia.

A opção pela suplementação com nutrientes para gestantes

E o que torna os suplementos uma opção a se considerar? A gestante de hoje não recebe a mesma quantidade de nutrientes em comparação com uma gestante que vivia há 90 ou 30 anos atrás. Em 1927, pesquisadores de King’s College, da Universidade de Londres, começaram a coletar dados sobre o teor de nutrientes dos alimentos (27 variedades de vegetais, 17 de frutas, 10 cortes de carne, alguns queijos e leites). Suas análises foram repetidas em intervalos regulares desde então, dando-nos uma imagem única de como a composição da nossa alimentação mudou ao longo do século passado: os alimentos perderam de 20% a 60% dos seus nutrientes.

Além disso, a manutenção de uma dieta rica e variada, que atenda a todas as recomendações de nutrientes, não é algo simples para a maioria das mães. Seja por falta de tempo, seja por falta de conhecimento. Como resultado, estudos vêm indicando uma carência nutricional entre gestantes.

Referência: https://www.essentialnutrition.com.br/conteudos/vitaminas-e-outros-nutrientes-indicados-para-gestantes/

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